• Aracaju, Sergipe
  • 26/03/2026
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Música, trabalho e fé marcam o percurso do cantor sergipano que construiu sua trajetória com dedicação e versatilidade

Lagarto é terra de artistas. Da pintura ao artesanato, da literatura à música, o município revela talentos que ecoam para além das suas fronteiras. Entre tantas histórias, a do cantor Jerônimo Vaqueiro é mais um exemplo do talento que nasce, cresce e se consolida no município e para além dele. Aos 29 anos, o artista divide a rotina entre os palcos e outras profissões.

Nascido no centro de Lagarto, na histórica Rua de Riachão, historicamente conhecida como Rua da Caridade, Jerônimo é filho de Inalva do Sacramento Santos e Jerônimo Santos Lima. Antes de ganhar notoriedade como cantor, ele já demonstrava que a música faria parte do seu caminho. Apesar de ser o primeiro músico da família, o talento floresceu cedo. Ainda criança, juntou dinheiro catando sururu e guaiamum para comprar o seu primeiro instrumento.

“O meu primeiro contato com a música foi através de um projeto lá em Aracaju, quando aprendi a tocar flauta doce. Foi onde comecei a despertar o gosto e, em apenas três meses, já auxiliava o professor. “Eu mesmo comprei minha primeira flauta. Foi uma conquista danada”, diz o artista, ao revelar que a facilidade no aprendizado sempre foi motivada por um foco que ele mesmo define como intenso. “Se eu gostar de uma coisa, eu fico hiperfocado naquilo”.

Após os primeiros contatos com a flauta doce, já aos 12 anos de idade, e de volta à sua terra natal, o menino, incentivado pela tia, se encantou pelo som do saxofone, motivo pelo qual ingressou na Filarmônica Lira Popular de Lagarto. O episódio foi decisivo para a sua formação musical e para o domínio do instrumento e, três anos mais tarde, ele passou a atuar profissionalmente como saxofonista em bandas de arrocha, gênero musical originado na Bahia, e que lhe deu uma experiência que ampliou seu repertório e o inseriu de vez no cenário musical.

A vivência nos palcos e nos bastidores contribuiu para sua formação artística, consolidando uma base sólida construída a partir da dedicação e do aprendizado constante. A transição para o vocal aconteceu, de fato, aos 24 anos. Desde então, Jerônimo assumiu também o microfone, passando a se apresentar como cantor, equilibrando a atuação como intérprete com a experiência de instrumentista, levando aos shows um repertório que mescla músicas autorais e sucessos de outros artistas.

“Nunca tive a intenção de cantar. Mas a vida foi conduzindo naturalmente. Após gravar uma única faixa musical, em um estúdio, o retorno me surpreendeu. Todo mundo que eu enviava perguntava quem estava cantando. A música rendeu o primeiro show e mudou a percepção de quem duvidava. Era muito diferente pegar no microfone, se expor, mas eu queria testar”, relata ao lembrar de episódios marcantes dos bastidores, como quando pediu para cantar uma música durante um show e não obteve espaço. “Nem sempre foi fácil”.

Curiosamente, mesmo quando ainda era apenas saxofonista, já usava chapéu de vaqueiro nos palcos, identidade que mais tarde se consolidaria. O nome artístico também surgiu desse contexto. Antes, pensou em ‘Jotão Vaqueiro’, mas optou por manter o próprio nome. “Eu achava que Jerônimo não combinava com nada. Mas depois fui acostumando. Hoje vejo que combina mais que o outro”, afirma. O estilo sertanejo e o chapéu que sempre o acompanharam acabaram selando a marca ‘Jerônimo Vaqueiro’.

Além do saxofone, o artista também toca teclado e se destaca como compositor, ampliando sua versatilidade. Sua vida musical é conciliada com outras profissões: barbeiro, professor de barbearia, massoterapeuta, quiropraxista e estudante universitário. A rotina intensa é encarada com responsabilidade e determinação, sem que o sonho artístico seja deixado de lado. “Eu não paro. Entre um cliente e outro, estou divulgando shows, resolvendo questões de documentação. Dá pra encaixar, mas é corrido”, diz Jerônimo.

Além dos palcos, Jerônimo Vaqueiro divide o seu tempo com outras atividades profissionais (Foto: Jobson Luz – Secom / PML)

O grande ponto de virada da vida do cantor aconteceu após um show com público reduzido, em 2025. Ao perceber o cenário vazio, pediu que o momento fosse filmado. “Eu disse: filma essa paisagem aí. Vamos colocar um texto falando da dificuldade que o artista tem às vezes de ser reconhecido em sua terra, pelos próprios conterrâneos”, recorda. O vídeo viralizou nas redes sociais em poucas horas, alcançando milhões de visualizações e abrindo portas inesperadas. “Foi uma bênção”, resume.

A repercussão trouxe visibilidade, convites para entrevistas, participações em canais de televisões locais e nacionais e aumento na procura por shows. Mas ele mantém os pés no chão. Eu tenho vários sonhos. E aquilo que aconteceu foi só uma porta de entrada, um empurrão bom. Eu não quero nada fácil, mas trabalho árduo mesmo”, afirma, ao projetar, para os próximos dez anos, crescimento profissional, reconhecimento e uma equipe alinhada com energia positiva.

Ao falar sobre sua terra natal, Jerônimo reconhece os desafios, mas exalta o potencial cultural do município. “Lagarto é cheio de talentos em todo setor, e a persistência é o segredo. Se você tem um sonho, faça sua parte. Trabalhe, estude sua área. Uma hora vai bater certo”, aconselha.

A trajetória de Jerônimo Vaqueiro não é apenas a história de um artista que viralizou. Casado com Rafaela Martins dos Santos e pai de Pedro Jerônimo, ele carrega sonhos que vão além do sucesso momentâneo, o verdadeiro retrato de um lagartense que transformou obstáculos em impulso e reafirma, com sua voz e sua identidade, que Lagarto segue sendo um verdadeiro celeiro de grandes nomes da cultura sergipana, artistas que carregam no talento a força de uma cidade inteira.

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Esta produção é parte integrante do especial Vozes Lagartenses, que reúne uma série de matérias, em texto e audiovisual, feita pelas equipes de Jornalismo e Marketing da Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura (Secult). A série tem como principal objetivo fortalecer o reconhecimento ao trabalho de nomes relevantes para a cultura do município.

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