O juiz Sérgio Moro negou nesta segunda-feira (29) o pedido da defesa do ex-deputado Eduardo Cunha para adiar o interrogatório marcado para esta quarta-feira, 31 de outubro.
Os advogados de Cunha alegam que o laudo feito no celular do deputado pela Polícia Federal contém erro que pode ter acontecido na extração das cópias dos arquivos. “Se não existiu falha no conteúdo das mídias anexas aos laudos, possivelmente ocorreu algum erro na extração de cópia dos arquivos”, argumentam os advogados.
A defesa aponta erros nos arquivos e a demora da PF em disponibilizar o laudo, que só foi anexado ao processo em 22 de outubro, para solicitar o adiamento do interrogatório de Cunha. Moro negou o pedido alegando que “a defesa não tem qualquer argumento concreto de que teria havido fraude na realização do exame pericial” e manteve a data do interrogatório para dia 31.
No fim do documento, Moro ainda afirmou que Eduardo Cunha tem plena condição de atestar a autenticidade dos dados, já que se trata de seu próprio celular. “Se, no interrogatório, Eduardo Cosentino da Cunha for confrontado com mensagens extraídas de seu celular, terá plenas condição de reconhecer eventual inautenticidade, já que o telefone é dele”, afirma o magistrado.
Em novo pedido feito nesta terça-feira (30), a defesa pede que Eduardo Cunha possa ter uma reunião pessoal e reservada com seus advogados durante três horas, no período das 13h às 22h, e outra reunião nesta quarta (31), entre 9h e 13h, antes do interrogatório.
A defesa volta a dizer que o parlatório – local reservado ao encontro de presos e advogados no Complexo Médico Penal em Pinhas (PR) – possui barreiras físicas que dificultam a comunicação. Moro ainda não respondeu ao pedido.
Em agosto deste ano, Moro já havia negado o pedido de Cunha para ter dois encontros fora do parlatório com seus advogados com duração de 9 horas. Na época, o depoimento de Cunha estava marcado para o dia 14 de setembro.
Moro adiou o depoimento para o dia 3 de outubro e, depois, adiou novamente o interrogatório para o dia 31 de outubro, depois das alegações da defesa de que o depoimento de Cunha poderia impactar na campanha de Danielle Cunha, filha do ex-deputado que tentou um cargo como Deputada Federal pelo MDB no Rio de Janeiro.

